Possibilidades

fevereiro 28, 2008

Continuar postando pra manter o Blog vivo.
Acho que todo mundo que tem blog meio que passa por essa fase sem-saco-sem-assunto-sem-motivo pra blogar.
Eu já até pensei em ter um blog temático pra sempre ter assunto e público certo, e anúncios do Google. E eu até poderia dizer que tenho.
Mas eu não sou organizada assim. A vida não é simples assim. E eu estou sempre espalhada por todos os lados, tentando manter algum equilíbrio.
O mais importante agora é continuar escrevendo. Continuar registrando. Pedaços aqui e pedaços no papel mesmo, onde não há auto-censura.

Hoje um peso saíu das minhas costas. Hoje eu vou dormir a noite inteira sem preocupações.
E no final de semana vou tomar vinho com os amigos no nosso potluck, brilantemente traduzido pra o português como “maconha da sorte”.
É incrível como um simples telefonema resolve tudo. Puff.
LEVE como uma pluma.
Um blog novo pra ler e me inspirar.
Possibilidades.

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Momento “movie critic”:
*** Contém os tais do spoilers ***
Temos vistos tantos filmes desde a compra (e “modificação”) do X-BOX que eu nem me preocupo mais em manter uma lista. E nós temos visto DE UM TUDO. Muitos filmes bons, muitos ruins, de todos os gêneros, números e graus. Mas de vez em quando tem um que dá um nó na cabeça e precisa ser registrado.
Ontem foi o The Nines, o qual eu classificaria como um filme Vladimir e Karinny. No final do filme chegamos à conclusões diferentes e decidimos que era melhor cada um ficar com a sua mesmo.
Pois bem, me diga se é possível uma pessoa ficar tão viciada em realidade virtual que esquece de viver sua vida normal? Que pra se comunicar com tal pessoa você precisa criar um avatar e entrar no mundo dela sob identidade secreta? Eu já vi vários filmes e li livros sobre universos paralelos, realidade virtual, personagens imaginários acreditando que são meninas de verdade. Esse é um tema facinante pra mim, não é apenas ficção científica. São as possibilidades. De escolha, ângulo, perspectiva, realidade.

O único erro de Deus foi não ter dado aos homens duas vidas: uma para ensaiar e outra para atuar. (Vittorio Gassman)

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da valorização do trabalho humano

fevereiro 20, 2008

E lá vou eu toda feliz de manhã calçar minhas botinhas novas. ITALIANAS. Arriscando, inclusive, a sair de saia no clima ameno de – 18 graus.
Quando foi só botar o pezinho fora do prédio já saio deslizando sobre a neve como patinando no canal. Sim, eu sou uma má patinadora.
Poucos passos depois caio, na real. Os italianos não entendem nada de inverno. Nem de neve. Nem de botas.
Umas senhora caridosamente se oferece a me levar até a porta do prédio.
Eu troco as novas pelas peludas.

Mas o inverno não perde por esperar.
Ele está com os dias contados.

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Continuando…

E lá vou eu no sapateiro, na hora do almoço, em busca da solução pras minhas botinhas derrapantes.
A solução é pregar um pedaço de borracha no solado. Simples né?
Mas custará $40 doletas! Um absurdo, eu sei.
Ai que saudades do meu sapateiro mágico que mora lá no estacionamento do North Shopping.
Ele iria me cobrar no máximo uns $10 reais.

É a valorização do trabalho humano, eu sei, eu sei. Mas é que quando sai do seu bolsinho dá uma saudade do Brasil…

(Esse exemplo também se aplica à costureira, manicure, faxineira, amolador de facas, e esteticista – quando eu vou pro Brasil a gente faz uma farra!)


Fate or coincidence?

fevereiro 15, 2008

Ontem foi Valentine’s day, but I am not kissing and telling.
Mas eu posso sim dizer que tem um lugar de sushi muito bom perto do meu trabalho e que é muito bom ter o Mr. mais pertinho de mim também.
Lunch dates, as much as I want.
Nosso plano agora é conhecer todos os restaurantes de downtown.

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Tempestade de neve prevista pra esse domingo.
Amigos de Toronto vindo passar o fim de semana prolongado.
Segunda é feriado: Family Day. Super-cute. Estávamos mesmo precisando de um feriado em Fevereiro.
Meu chefe diz que o clima está DELIGHTFUL pra patinar no canal.
Meu chefe sempre fala as melhores palavras.

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E quem disse que o Orkut não serve pra nada heim?
Essa semana reencontrei minha primeira amiga de quando entrei no 7 de Setembro, na quinta série
Bem, ela que me encontrou.
Fiquei até arrepiada. Logo agora que eu estou nessa de auto-conhecimento e de voltar às raízes e entender porque eu sou do jeito que sou encontro essa amiga lá das profundezas do meu passado.
Tive vontade de pegar ela, limpar as teias de aranha de conversar o dia inteiro sobre o passado. Sobre os meninos. Relendo aqueles questionários que a gente inventava e enchia várias folhas de caderno. Relendo as caprichos. Lembrando nomes de pessoas e estórias engraçadas. Rindo de nós mesmas. Suspiro.
Quem sabe da próxima vez que eu estiver por lá.

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Coincidência ou Destino?

Ainda no tema dejavu, nostalgia, e tal.
Estou amando o livro que estou lendo da Margaret Atwood.
As memórias da infãncia da personagem são tão reais e excitantes.
Me faz desenterrar memórias que eu nem sabia mais que estavam lá.
Eu sei que ainda tem muita coisa pra acontecer, e que o livro é sobre muito mais do que isso.
Mas essa já é a minha parte favorita.

Ontem na cama eu confessei pro Mr. a minha frustração ao ler um bom livro.
Ele não entende.
Eu explico: eu queria ter escrito, eu queria ter lido antes, eu queria ser capaz de absorvê-lo completamente e memorizar as passagens que eu mais gosto,
eu queria que nunca acabasse, ou que todos os livros me fizessem sentir assim.

Complexa, eu sou.


A vida e o blog

fevereiro 12, 2008

O Mr. e eu adoramos um programa de índio. Temos um “chama” para tal, sempre somos convidados praquelas saídas sem-pé-nem-cabeça, e o pior, sempre topamos.
Mas também nos metemos nas enrrascadas por nosso próprio risco e conta. Mais por culpa minha, é claro. Aniversário de criança, almoço de igreja, trabalho voluntário na universidade, mudança de amigos, palestras ecológicas e praia em wasaga beach. É com a gente mesmo.

Eu realmente acredito que participando estamos construindo uma sociedade melhor, mais solidária. Ontem mesmo participamos de uma pesquisa sobre o comportamento de casais. Tudo pelo engradecimento da ciência. Horas preenchendo questionários, e discutindo sobre tópicos interessantíssimos. Depois de oito horas de trabalho, e antes do jantar.

Mas eu não troco minhas experiências ruins por nada na vida. Elas, como os meus defeitos, são partes inseparáveis de mim e do que eu sou. Tudo parte de minha história. Todas as memórias contam. E nada une mais um casal do que a cumplicidade de enfentar um programa chato.

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O post de ontem no blog do Glacial reflete vários dos meu sentimentos em relação à blogosfera.
Ultimamente tudo tem girado em torno do número de acessos, anúncios do google, número de comentários nos posts.
Todo mundo se acha O expert de tecnologia, O crítico literário e cinematográfico, O juíz da humanidade. Se levam a sério demais. Que saco! Tudo igual, tudo repetido, tudo falso e superficial. Tão forçado que eu paro de ler logo no primeiro parágrafo. Não vou nem tocar no tema dos miguxos. Infantilóides.
Pouca gente tem escrito apenas pra expressar um pensamento, uma opinião, compartilhar uma expreriência.
Já tem tanta tecnicalidade na internet, tantos sites realmente bons e informativos. Por que alguém se daria ao trabalho de ler um amador mal escrito?
Escreva sobre o que você é bom. Escreva sobre o que você conversa com seus amigos na mesa de bar, aquela estória que todo mundo para pra ouvir.
Como você venceu um obstáculo, como pediu sua namorada em casamento, sua wishlist, aquele pesadelo que te deixou acordado a noite toda, seu medo de uma guerra nuclear. Rir de si faz parte.
Quando eu leio um blog eu procuro me identificar com a pessoa. Como um personagem de um bom livro. O que faz dele humano, o que o move, como toma decisões.
Eu sou totalmente voyerista. Não no sentido de saber “as últimas”, mas de saber o que faz cada um especial, único.
Eu realmente acredito nessa mídia. Ela tem feito tanto por mim, me inspira todos os dias de tantas formas diferentes, me apresentou estranhos que eu admiro, me alegro com suas vitórias e fico angustiada quando a gata dela está doente.
Sem falar que a gente se diverte ao ver que todo mundo é um pouco parecido. Humano.
Mas eu sou só uma leitora. Eu tô só dizendo.

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Essa vida de amante de chás tem o seu preço. Eu vivo com a língua queimada.
Ainda mais agora nesse clima sub-glacial (Marcelo vai ter que começar a me pagar o jabá) daqui.
Neste momento em Ottawa: -18.
A gente sempre tem uma semana assim em Fevereiro. Cruel.
Minhas mãos estão sempre frias. Meu chá logo fica gelado. Faço viagens constantes ao microndas.
Sueter só se for de gola “rolê”. Ou turtleneck como chama aqui.
Eu queria mesmo ser uma tartaruga agora. Me enfiava na minha carapaça e só saia na primavera.


Desigualdade social

fevereiro 8, 2008

Maior covardia essa negócio de gente que tem foto profissional no perfil do orkut.
Enquanto lucy desaprova os feios eu não me conformo com os lindos. Muito mau pra auto-estima cara.
Eu já tenho o maior trabalho pra encontrar uma foto que seja pelo menos apresentável, tipo pra não fazer vergonha ao nome da família e tal e a pessoa lá toda maquilada naquele fundo branco, cabelos esvoaçantes.
Total desigualdade social.
Vou já escrever um email pra administração reclamando.
Aliás, deveria logo deletar o contato de todos meus amigos que têm fotos de estudio no perfil. Melhor ainda, vou apagar todos os que são mais bonitos, viajados e lidos do que eu. Vou me acompanhar só com os FEOS de hoje em diante.
Vladimir, espere ouvir do meu advogado.


Gelo, óculos e orgulho

fevereiro 5, 2008

Sobre o Gelo:

Ice 3 X People 0

Até agora 3 pessoas aqui do trabalho tiveram acidentes no gelo.
A primeira escorregou em frente de casa e bateu a cabeça. Nada muito grave.
A segunda ecorregou e quebrou o joelho quando descia do carro pra vir pro trablalho, dentro do estacionamento, fez cirurgia e agora tem pela frente 6 MESES de fisio.
A terceira está com os dois olhos roxos e um “galo” imenso no meio da testa.
Horrível. O gelo é mais perigoso do que a gente pensa.

Sobre os óculos:

Pois bem. Como eu já tinha falado a garantia acabou de vez e eu agora preciso de óculos para poder ver “de longe”.
Uns amigos já suspeitavam que minha vista já não estava lá essas coisas quando eu já não conseguia mais ler as placas ou letreiros nas ruas.
Eu acreditava que meus olhos estavam apenas cansados devido às longas horas na frente do computador.
Doce ilusão. E tome UM GRAU E MEIO!
Mas é claro que meus óculos são super STYLISH, da cor ROXA e da marca PUMA. Tá?!
Eu não vou me render fácil assim…

O fato é que agora EU POSSO VER! Foi a maior emoção quando eu saí da loja toda de óculos e vi todos os semáforos até o fim da rua.
Eu via as folhas das árvores, os rostos das pessoas ao longe, os detalhes dentro da loja na frente do ponto do ônibus.
Mas calma aê que eu ainda estou me adaptando. Um dia eu posto uma foto no flickr.

Sober o orgulho:

Eu deixei o melhor pro final.

O orgulho de ser brasileiro nessa época do ano vem à tona com uma foto da Juliana Paez no jornal do Metro com as devidas plumas e paetês.
No jornal da manhã um rápido glimpse no desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro com o tema: Japão.
A jornalista boquiaberta não entendia nada.
Os colegas de trabalho tiram onda com a sua cara.

E ainda têm os alienados que de lá do Brasil perguntam: “e o carnaval aí?”

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E agora o merchand:
Yes, WE ARE BACK!


É Carnaval! (whatever…)

fevereiro 2, 2008

Sozinha e postando de casa em pleno sábado de Carnaval enquando o V. está entregue à folia, leia-se: Snowboarding.
20 cm de neve baby!

Eu não, obrigada.
Já tive minha experiência íntima com o FRIO ontem à noite enquanto assistíamos ao show do K-OS na abertura do Winterlude.

K-OS Rules! (Conforme gritava uma doidinha debaixo da ponte na Rideau). Eles realmente animaram a multidão congelada sob -15 (MENOS 15!) e apesar de eu ainda estar em dúvida se o V. finalmente se entregou ao ritmo eletrizante do Hip Hop ou estava espantando o frio, eu só sei que a gente dançou muito, ao ar livre, no meio da galera, com muito frio, celebrando o inverno.
Uma coisa meio tribal.

Já que a gente tem que conviver com o inverno melhor to make the best of it.
E é verdade pra mim. Eu tenho aprendido a amar o inverno. Como parte da vida, como parte da natureza desse país que nós escolhemos chamar de lar (música romântica ao fundo…).
Tem dias que a gente reclama, xinga, grita e se joga na neve dizendo que não aguenta mais! Mas daí levanta, sacode a neve e volta pra casa pra tomar chá. Ou um banho quente.
Aliás, o inverno me ensinou a realmente apreciar um banho de banheira.
Tirando a parte do trabalho que é limpar a banheira (ai que falta uma faxineira faz…) é um dos grandes prazeres do inverno pra mim.
Água quente “pelando”, sabonete líquido e óleo de castanha da Natura (presente de mami, claro!), Majic 100 no rádio e paz, muita paz. Fechar os olhos e voltar a sentir os dedos dos pés depois de horas no frio.

É bom estar aqui. Agora.